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Enterrados no Jardim

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Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho 149 Episódios jul 17, 2026

Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho conversam sobre temas variados, desde leves a pesados, envoltos na bruma da época. Dançam com fantasmas e aparições no nevoeiro, tentando capturar ideias brilhantes ou descobrir a origem de um odor a cadáver adiado. O podcast explora a tensão que leva ao silêncio e a censura persistente, num ambiente que instila medo. Eles desenterram, perfumam e trazem para o baile amigos enterrados no jardim, deixando covas abertas para empurrar os que causam pavor.

Episódios

A flotilha, os refugiados, a Odisseia e o marisco. Uma conversa com Miguel C. Duarte
A flotilha, os refugiados, a Odisseia e o marisco. Uma conversa com Miguel C. Duarte jul 17, 2026 15143 Vulgarizamo-nos ao sermos forçados a explicar de todas as vezes os elementos decisivos das nossas vidas. Abandonada a paixão, limitados a uma frieza racional, de modo a bater certo com os critérios desse espírito mediano, esse que se abstém diariamente de qualquer ímpeto ou febre que possa obrigá-lo a fugir de si mesmo. Que dificuldade em chegar perto daquele lado perverso que torna alguns homens
Os trânsfugas da ficção lusa. Uma conversa com Filipa Martins
Os trânsfugas da ficção lusa. Uma conversa com Filipa Martins jul 11, 2026 14466 Certa vez, Cabrera Infante deu-se a oportunidade de passar algumas horas na presença do seu mito encarnado, esse ídolo que, depois de tanto nos instigar, vai cedendo com o passar dos anos à pressão, e revela as suas falhas, fendas. Assim, com o fito de fazer uma reportagem, este soberbo escritor cubano passou um dia inteiro com Hemingway a bordo do Pilar, o seu célebre iate, pescando ao largo da c
O artista contemporâneo, esse activista financeiro. Uma conversa com António Pinto Ribeiro
O artista contemporâneo, esse activista financeiro. Uma conversa com António Pinto Ribeiro jul 4, 2026 11134 No início dos seus manuscritos, de 1844, Marx escreve qualquer coisa como «o meu próximo é o dinheiro», e o poeta francês Christophe Hanna admite que esta declaração pode ser entendida como uma indiciação de que o dinheiro determina as nossas vidas num tal grau que não nos livramos de qualificar os outros e a relação que com eles estabelecemos a partir da fortuna que lhes atribuímos. No fundo o di
Os arquitectos da guerra que virá. Uma conversa com Marta Lança
Os arquitectos da guerra que virá. Uma conversa com Marta Lança jun 27, 2026 16669 Acho que fica bem claro como estava já tudo descrito muito antes de termos nascido. Como nos lembra Sven Lindqvist, a palavra «Europa» deriva de uma palavra semítica que significa apenas «escuridão». E, de resto, como ele também vinca, «a distância entre a ideia do extermínio e o coração do humanismo não é maior do que a existente entre Buchenwald e a Goethehaus em Weimar. «Essa percepção foi quas
Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo
Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo jun 19, 2026 13881 Como se esbanja por aí a eternidade, como se sacodem as suas pulgas, condenando os melhores vícios, a desordem sábia, e abrimos mão dos verdadeiros triunfos, da íntima noção dessas alegrias humildes, desse calor das existências comuns, do tempo em que os homens nasciam à beira das paixões e o único imperativo era não se afastarem demasiado. Mas, agora, precisam dar a volta, atravessar a perda de s
O Apocalipse de Merda. Uma conversa com Michael Marder
O Apocalipse de Merda. Uma conversa com Michael Marder jun 13, 2026 15498 Uma desoladora mistificação do nosso tempo opera-se pelo colapso da responsabilidade, como um processo de recitação em que o ser se expurgasse daquela impiedade no juízo que faz de si mesmo, deixando de reconhecer como a consciência só alcança um limiar sagrado no momento em que cada um de nós admite que o “sermos responsáveis pelos nossos actos até ao fim dos tempos é o verdadeiro juízo final com
Um acepipe nas barricadas. Outra conversa com David Teles Pereira
Um acepipe nas barricadas. Outra conversa com David Teles Pereira jun 6, 2026 16598 Se as perdêssemos de vista por umas horas, não saberíamos reencontrar as nossas vidas pelo cheiro, nem pelo gemido que fazem, nem daríamos com esses corpos tão abatidos que só de um certo ângulo, a poucos palmos do espelho, nos parece que sim, serão os nossos, porque repetem vagamente os mesmos gestos ou expressões. Mas mesmo nisso parece instalar-se um certo desfasamento, algum atraso, e são pouc
A Balsa da Medusa. Uma conversa com Margarida Davim
A Balsa da Medusa. Uma conversa com Margarida Davim mai 29, 2026 15453 Tudo o que disser aqui pode ser usado contra si. E não é assim, e cada vez mais, em toda a parte? Parece que temos alguma coisa contra a vida. Por princípio, e contrariamente ao que se diz. Só isso explica a falta de ar, a falta de vidas absurdas. No seu estado de demência mais benigna, percebe-se como o mundo cedeu a uma imensa nostalgia do passado. Ninguém saberia, contudo, situá-lo. Na verdade,
Malcriados, malnascidos, estrangeiros e apátridas. Uma conversa com Diogo Nóbrega
Malcriados, malnascidos, estrangeiros e apátridas. Uma conversa com Diogo Nóbrega mai 23, 2026 16748 “Também Diane Arbus nos deu, na sua fotografia,/ da loucura não o refúgio (o asilo) mas a corrida/ (atrevida) – ou o passo de dança (Disse, Dança?)./ ‘Pass through the fire to the light’, de novo L. Reed.” Isto é uma costela dessas que arrancamos para palitar a boca que gostaríamos de refazer a cada par de meses, dominados por um assombro que nos leve a um tal grau de estranheza que não tenhamos n
Maus fígados, objectivos comuns. Uma conversa com Ricardo Mangerona
Maus fígados, objectivos comuns. Uma conversa com Ricardo Mangerona mai 16, 2026 14210 Nesta república de sonsos, em breve o ódio terá o melhor de nós, a parcela que, num acesso revoltoso, se esforça ainda por compreender o estado das coisas, e será a última expressão contendo um verdadeiro sinal de fervor, uma paixão indomesticada, e o melhor de um antigo anseio confessional, que, vendo-se livre das peias da civilização, se mostrará tomado por essa virulência de ordem mais ou menos
Exorcisar o medo, escapar à tragédia. Uma conversa com Lourença Baldaque
Exorcisar o medo, escapar à tragédia. Uma conversa com Lourença Baldaque mai 9, 2026 17859 De toda a parte nos chegam avisos quanto a uma crise de autores teatrais, ou do conto, do romance, géneros que déramos como adquiridos, elementos constantes de uma plena função cultural, mas se se perdeu o entusiasmo das formas, aquela audácia com que se partia da realidade como de um mote para depois se tratar certos temas com um cuidado obstinado em animar de um sopro vital algo que pode, sem el
Poeta: profissão liberal. Uma conversa com João Vasco Rodrigues e Nuno dos Santos Sousa
Poeta: profissão liberal. Uma conversa com João Vasco Rodrigues e Nuno dos Santos Sousa mai 2, 2026 16362 A natureza não dá satisfações. À sua semelhança, também a poesia faz o que precisa fazer, e ninguém deve esperar que se enrede em justificações. Por outro lado, a crítica é uma arte de se mostrar audaz nos motivos que articula, como um criminoso, que fosse dispensado de cumprir qualquer tipo de pena, considerando-se que as motivações eram de tal forma eloquentes que até esse sabujo do homem médio,

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