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Enterrados no Jardim

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Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho 149 episodes Latest May 29, 2026

Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho conversam sobre temas variados, desde leves a pesados, envoltos na bruma da época. Dançam com fantasmas e aparições no nevoeiro, tentando capturar ideias brilhantes ou descobrir a origem de um odor a cadáver adiado. O podcast explora a tensão que leva ao silêncio e a censura persistente, num ambiente que instila medo. Eles desenterram, perfumam e trazem para o baile amigos enterrados no jardim, deixando covas abertas para empurrar os que causam pavor.

Episodes

Um acepipe nas barricadas. Outra conversa com David Teles Pereira Jun 6, 2026 16598 Se as perdêssemos de vista por umas horas, não saberíamos reencontrar as nossas vidas pelo cheiro, nem pelo gemido que fazem, nem daríamos com esses corpos tão abatidos que só de um certo ângulo, a poucos palmos do espelho, nos parece que sim, serão os nossos, porque repetem vagamente os mesmos gestos ou expressões. Mas mesmo nisso parece instalar-se um certo desfasamento, algum atraso, e são pouc
A Balsa da Medusa. Uma conversa com Margarida Davim May 29, 2026 15453 Tudo o que disser aqui pode ser usado contra si. E não é assim, e cada vez mais, em toda a parte? Parece que temos alguma coisa contra a vida. Por princípio, e contrariamente ao que se diz. Só isso explica a falta de ar, a falta de vidas absurdas. No seu estado de demência mais benigna, percebe-se como o mundo cedeu a uma imensa nostalgia do passado. Ninguém saberia, contudo, situá-lo. Na verdade,
Malcriados, malnascidos, estrangeiros e apátridas. Uma conversa com Diogo Nóbrega May 22, 2026 16748 “Também Diane Arbus nos deu, na sua fotografia,/ da loucura não o refúgio (o asilo) mas a corrida/ (atrevida) – ou o passo de dança (Disse, Dança?)./ ‘Pass through the fire to the light’, de novo L. Reed.” Isto é uma costela dessas que arrancamos para palitar a boca que gostaríamos de refazer a cada par de meses, dominados por um assombro que nos leve a um tal grau de estranheza que não tenhamos n
Maus fígados, objectivos comuns. Uma conversa com Ricardo Mangerona May 15, 2026 14210 Nesta república de sonsos, em breve o ódio terá o melhor de nós, a parcela que, num acesso revoltoso, se esforça ainda por compreender o estado das coisas, e será a última expressão contendo um verdadeiro sinal de fervor, uma paixão indomesticada, e o melhor de um antigo anseio confessional, que, vendo-se livre das peias da civilização, se mostrará tomado por essa virulência de ordem mais ou menos
Exorcisar o medo, escapar à tragédia. Uma conversa com Lourença Baldaque May 9, 2026 17859 De toda a parte nos chegam avisos quanto a uma crise de autores teatrais, ou do conto, do romance, géneros que déramos como adquiridos, elementos constantes de uma plena função cultural, mas se se perdeu o entusiasmo das formas, aquela audácia com que se partia da realidade como de um mote para depois se tratar certos temas com um cuidado obstinado em animar de um sopro vital algo que pode, sem el
Poeta: profissão liberal. Uma conversa com João Vasco Rodrigues e Nuno dos Santos Sousa May 2, 2026 16362 A natureza não dá satisfações. À sua semelhança, também a poesia faz o que precisa fazer, e ninguém deve esperar que se enrede em justificações. Por outro lado, a crítica é uma arte de se mostrar audaz nos motivos que articula, como um criminoso, que fosse dispensado de cumprir qualquer tipo de pena, considerando-se que as motivações eram de tal forma eloquentes que até esse sabujo do homem médio,
A inteligência de ficar para último. Outra conversa com Patrícia Câmara Apr 24, 2026 10587 Exaustos de seres virados do avesso, sem interior, protagonistas incapazes de se despirem no escuro, trabalhando essa luz desesperada que vai de escândalo em escândalo, tínhamo-nos procurado retirar entre aquilo que nos restava, gestos roubados dos longos filmes, como os víramos em miúdos, a clareza que nos diz que a violência é como a poesia, pois não se corrige, antes aceita o desastre, capaz de
A intensidade dos condenados. Uma conversa com Victor Barros Apr 17, 2026 13850 Desta vez, tivemos de nos ficar pelos trabalhos preparatórios, já que este texto, que costuma ser redigido depois, teve de ser apressado, vindo antes, e a previsão é que Victor Barros (cabo-verdiano, historiador doutorado pela Universidade de Coimbra, com uma tese sobre a construção da memória do império português nas colónias em África, investigador do Instituto de História Contemporânea da Unive
Tenho saudades da Comuna de Paris. Uma conversa com Joana Craveiro Apr 10, 2026 13410 Certa vez Herzog recomendou o cinema como uma arte tão cativante por se manter imune às obsessões dos eruditos, sendo um recreio dos iletrados. Nietzsche desdenhava daqueles que assumem a leitura como um passatempo, essa figura do leitor passivo, que se entrega a um consumo de ideias sem as levar a qualquer efeito. “As primeiras línguas foram cantadas e apaixonadas antes de decaírem, como parcelas
Crónica dos pássaros dissecados em pleno voo. Outra conversa com Margarida David Cardoso Apr 4, 2026 13724 O meu demónio quer saber onde está o divã. Quer deitar-se nele e dar início ao disparate que tivemos de interromper da última vez. De qualquer modo ficamos sempre a meio. É impossível chegar a algum lado com estes rodeios delirantes em que nos pomos a escavar tudo o que há. Já se esqueceu de como se pôs a escarafunchar aquele pedaço de mobília, a imitação de couro, e agora estamos aqui os d
A Manosfera e os Drag Kings. Outra conversa com Maria João Faustino Mar 29, 2026 16011 “Também a ‘realidade’ dos corpos inocentes foi violada, manipulada, adulterada pelo poder consumista: mais ainda, essa violência sobre os corpos tornou-se o dado mais flagrante da nova época humana… As vidas sexuais privadas (como a minha) sofreram o trauma tanto da falsa tolerância como da degradação corporal, e aquilo que nas fantasias sexuais era dor e alegria tornou-se uma desilusão sui
Ler livros de história num bordel em Alexandria. Uma conversa com José Luís Costa Mar 20, 2026 17200 “Daqui por mil anos não restará nada/ de quanto foi escrito neste século./ Hão-de ler-se frases soltas, pegadas/ de mulheres perdidas,/ fragmentos de crianças imóveis,/ os teus olhos lentos e verdes/ simplesmente não existirão./ Será como a Antologia Grega,/ ainda mais distante,/ como uma praia no inverno/ para outro assombro e outra indiferença”, escreve Bolaño, ditando essa perspectiva que, estr

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