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Enterrados no Jardim

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Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho 149 Episódios out 23, 2026

Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho conversam sobre temas variados, desde leves a pesados, envoltos na bruma da época. Dançam com fantasmas e aparições no nevoeiro, tentando capturar ideias brilhantes ou descobrir a origem de um odor a cadáver adiado. O podcast explora a tensão que leva ao silêncio e a censura persistente, num ambiente que instila medo. Eles desenterram, perfumam e trazem para o baile amigos enterrados no jardim, deixando covas abertas para empurrar os que causam pavor.

Episódios

O baile dos estorninhos. Outra conversa com Manuel Bivar
O baile dos estorninhos. Outra conversa com Manuel Bivar out 23, 2026 14932 Ao entardecer, os estorninhos juntam-se sobre os campos, os canaviais, os parques industriais, dançando à volta dos fios eléctricos, primeiro em pequenos grupos, manchas dispersas que não obedecem a qualquer padrão. Depois, e de súbito, o céu fica tomado de uma matéria escura, que curva e se dobra, se comprime e alonga, milhares de pontos que se movem em simultâneo, sem colisões, sem uma pausa que
Os traficantes de realidade. Uma conversa com Raquel Ribeiro
Os traficantes de realidade. Uma conversa com Raquel Ribeiro out 17, 2026 16070 Uma greve de fome é um diminuendo prolongado, angustiante. Sem nada para comer, o corpo começa lentamente a devorar-se a si próprio. Na Irlanda, a memória da Grande Fome, como lhe chamou o historiador Cecil Woodham-Smith, constitui um sedimento de cólera na consciência nacional, revolvido sempre que uma greve de fome volta a acontecer. Foi o que sucedeu com Bobby Sands. Entre outras reivindicações
Libertar Ulisses do purgatório. Uma conversa com Miguel Bonneville
Libertar Ulisses do purgatório. Uma conversa com Miguel Bonneville out 10, 2026 14623 Mal se dorme nesta época, talvez porque as noites estão cheias de confissões, sugere ele, o que as liga umas às outras, abre esses canais de pernoita, essas funções burocráticas que converteram esta geração à insónia. Müller admite que desde 1789 nenhuma revolução na Europa ou onde quer que fosse encontrou outro modo de sobrevivência que não a cultura da denúncia, essa perseguição que os homens se
Tudo menos ser mulher. Uma conversa com Cláudia Sobral
Tudo menos ser mulher. Uma conversa com Cláudia Sobral out 2, 2026 12945 Perdidas na história umas das outras, trocam de nome como de camisas de noite, e conhecem a espessura dos véus, o peso das máscaras, dos disfarces, estão nas suas próprias vidas como personagens, despindo-se segundo as indicações de outros, esse olhar que lhes refez a carne. Algumas despertam em segredo, raspando um fósforo, discretas incendiárias com vontade de que a chama pudesse consumir tudo,
Uma devastação inteligente. Conversa com João Camargo
Uma devastação inteligente. Conversa com João Camargo set 25, 2026 13597 Os muros já praticamente não nos falam. E nem de limite servem, como barreiras, cortando as frases, interrompendo a tagarelice deste mundo tão jactante precisamente porque nada tem para dizer. Vende-nos constantemente o seu vazio por incapacidade de afirmar seja o que for. «Nada está próximo para quem está à deriva»... Eis a última frase que li num muro e que me pareceu que falava para mim.
O regresso dos percevejos, das Karens e das Tinas. Outra conversa entre os outros dois
O regresso dos percevejos, das Karens e das Tinas. Outra conversa entre os outros dois set 18, 2026 11508 O diabo daria a sua bênção a esta época, se fosse capaz de abençoar seja o que for. Disto, creio que estamos todos convencidos. Eis-nos de volta ao aperto da mais trocista das molduras, e vamos justificando-nos com uma espécie de compulsão, o voltarmos de cada vez, como se por inércia, caídos em circunstâncias em relação às quais todos se confessam alheios, num ambiente de onde, na verdade, apetec
A flotilha, os refugiados, a Odisseia e o marisco. Uma conversa com Miguel C. Duarte
A flotilha, os refugiados, a Odisseia e o marisco. Uma conversa com Miguel C. Duarte jul 17, 2026 15143 Vulgarizamo-nos ao sermos forçados a explicar de todas as vezes os elementos decisivos das nossas vidas. Abandonada a paixão, limitados a uma frieza racional, de modo a bater certo com os critérios desse espírito mediano, esse que se abstém diariamente de qualquer ímpeto ou febre que possa obrigá-lo a fugir de si mesmo. Que dificuldade em chegar perto daquele lado perverso que torna alguns homens
Os trânsfugas da ficção lusa. Uma conversa com Filipa Martins
Os trânsfugas da ficção lusa. Uma conversa com Filipa Martins jul 11, 2026 14466 Certa vez, Cabrera Infante deu-se a oportunidade de passar algumas horas na presença do seu mito encarnado, esse ídolo que, depois de tanto nos instigar, vai cedendo com o passar dos anos à pressão, e revela as suas falhas, fendas. Assim, com o fito de fazer uma reportagem, este soberbo escritor cubano passou um dia inteiro com Hemingway a bordo do Pilar, o seu célebre iate, pescando ao largo da c
O artista contemporâneo, esse activista financeiro. Uma conversa com António Pinto Ribeiro
O artista contemporâneo, esse activista financeiro. Uma conversa com António Pinto Ribeiro jul 4, 2026 11134 No início dos seus manuscritos, de 1844, Marx escreve qualquer coisa como «o meu próximo é o dinheiro», e o poeta francês Christophe Hanna admite que esta declaração pode ser entendida como uma indiciação de que o dinheiro determina as nossas vidas num tal grau que não nos livramos de qualificar os outros e a relação que com eles estabelecemos a partir da fortuna que lhes atribuímos. No fundo o di
Os arquitectos da guerra que virá. Uma conversa com Marta Lança
Os arquitectos da guerra que virá. Uma conversa com Marta Lança jun 27, 2026 16669 Acho que fica bem claro como estava já tudo descrito muito antes de termos nascido. Como nos lembra Sven Lindqvist, a palavra «Europa» deriva de uma palavra semítica que significa apenas «escuridão». E, de resto, como ele também vinca, «a distância entre a ideia do extermínio e o coração do humanismo não é maior do que a existente entre Buchenwald e a Goethehaus em Weimar. «Essa percepção foi quas
Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo
Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo jun 19, 2026 13881 Como se esbanja por aí a eternidade, como se sacodem as suas pulgas, condenando os melhores vícios, a desordem sábia, e abrimos mão dos verdadeiros triunfos, da íntima noção dessas alegrias humildes, desse calor das existências comuns, do tempo em que os homens nasciam à beira das paixões e o único imperativo era não se afastarem demasiado. Mas, agora, precisam dar a volta, atravessar a perda de s
O Apocalipse de Merda. Uma conversa com Michael Marder
O Apocalipse de Merda. Uma conversa com Michael Marder jun 13, 2026 15498 Uma desoladora mistificação do nosso tempo opera-se pelo colapso da responsabilidade, como um processo de recitação em que o ser se expurgasse daquela impiedade no juízo que faz de si mesmo, deixando de reconhecer como a consciência só alcança um limiar sagrado no momento em que cada um de nós admite que o “sermos responsáveis pelos nossos actos até ao fim dos tempos é o verdadeiro juízo final com

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