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Enterrados no Jardim

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Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho 149 Episódios jun 27, 2026

Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho conversam sobre temas variados, desde leves a pesados, envoltos na bruma da época. Dançam com fantasmas e aparições no nevoeiro, tentando capturar ideias brilhantes ou descobrir a origem de um odor a cadáver adiado. O podcast explora a tensão que leva ao silêncio e a censura persistente, num ambiente que instila medo. Eles desenterram, perfumam e trazem para o baile amigos enterrados no jardim, deixando covas abertas para empurrar os que causam pavor.

Episódios

Os arquitectos da guerra que virá. Uma conversa com Marta Lança jun 27, 2026 16669 Acho que fica bem claro como estava já tudo descrito muito antes de termos nascido. Como nos lembra Sven Lindqvist, a palavra «Europa» deriva de uma palavra semítica que significa apenas «escuridão». E, de resto, como ele também vinca, «a distância entre a ideia do extermínio e o coração do humanismo não é maior do que a existente entre Buchenwald e a Goethehaus em Weimar. «Essa percepção foi quas
Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo jun 19, 2026 13881 Como se esbanja por aí a eternidade, como se sacodem as suas pulgas, condenando os melhores vícios, a desordem sábia, e abrimos mão dos verdadeiros triunfos, da íntima noção dessas alegrias humildes, desse calor das existências comuns, do tempo em que os homens nasciam à beira das paixões e o único imperativo era não se afastarem demasiado. Mas, agora, precisam dar a volta, atravessar a perda de s
O Apocalipse de Merda. Uma conversa com Michael Marder jun 13, 2026 15498 Uma desoladora mistificação do nosso tempo opera-se pelo colapso da responsabilidade, como um processo de recitação em que o ser se expurgasse daquela impiedade no juízo que faz de si mesmo, deixando de reconhecer como a consciência só alcança um limiar sagrado no momento em que cada um de nós admite que o “sermos responsáveis pelos nossos actos até ao fim dos tempos é o verdadeiro juízo final com
Um acepipe nas barricadas. Outra conversa com David Teles Pereira jun 6, 2026 16598 Se as perdêssemos de vista por umas horas, não saberíamos reencontrar as nossas vidas pelo cheiro, nem pelo gemido que fazem, nem daríamos com esses corpos tão abatidos que só de um certo ângulo, a poucos palmos do espelho, nos parece que sim, serão os nossos, porque repetem vagamente os mesmos gestos ou expressões. Mas mesmo nisso parece instalar-se um certo desfasamento, algum atraso, e são pouc
A Balsa da Medusa. Uma conversa com Margarida Davim mai 29, 2026 15453 Tudo o que disser aqui pode ser usado contra si. E não é assim, e cada vez mais, em toda a parte? Parece que temos alguma coisa contra a vida. Por princípio, e contrariamente ao que se diz. Só isso explica a falta de ar, a falta de vidas absurdas. No seu estado de demência mais benigna, percebe-se como o mundo cedeu a uma imensa nostalgia do passado. Ninguém saberia, contudo, situá-lo. Na verdade,
Malcriados, malnascidos, estrangeiros e apátridas. Uma conversa com Diogo Nóbrega mai 23, 2026 16748 “Também Diane Arbus nos deu, na sua fotografia,/ da loucura não o refúgio (o asilo) mas a corrida/ (atrevida) – ou o passo de dança (Disse, Dança?)./ ‘Pass through the fire to the light’, de novo L. Reed.” Isto é uma costela dessas que arrancamos para palitar a boca que gostaríamos de refazer a cada par de meses, dominados por um assombro que nos leve a um tal grau de estranheza que não tenhamos n
Maus fígados, objectivos comuns. Uma conversa com Ricardo Mangerona mai 16, 2026 14210 Nesta república de sonsos, em breve o ódio terá o melhor de nós, a parcela que, num acesso revoltoso, se esforça ainda por compreender o estado das coisas, e será a última expressão contendo um verdadeiro sinal de fervor, uma paixão indomesticada, e o melhor de um antigo anseio confessional, que, vendo-se livre das peias da civilização, se mostrará tomado por essa virulência de ordem mais ou menos
Exorcisar o medo, escapar à tragédia. Uma conversa com Lourença Baldaque mai 9, 2026 17859 De toda a parte nos chegam avisos quanto a uma crise de autores teatrais, ou do conto, do romance, géneros que déramos como adquiridos, elementos constantes de uma plena função cultural, mas se se perdeu o entusiasmo das formas, aquela audácia com que se partia da realidade como de um mote para depois se tratar certos temas com um cuidado obstinado em animar de um sopro vital algo que pode, sem el
Poeta: profissão liberal. Uma conversa com João Vasco Rodrigues e Nuno dos Santos Sousa mai 2, 2026 16362 A natureza não dá satisfações. À sua semelhança, também a poesia faz o que precisa fazer, e ninguém deve esperar que se enrede em justificações. Por outro lado, a crítica é uma arte de se mostrar audaz nos motivos que articula, como um criminoso, que fosse dispensado de cumprir qualquer tipo de pena, considerando-se que as motivações eram de tal forma eloquentes que até esse sabujo do homem médio,
A inteligência de ficar para último. Outra conversa com Patrícia Câmara abr 24, 2026 10587 Exaustos de seres virados do avesso, sem interior, protagonistas incapazes de se despirem no escuro, trabalhando essa luz desesperada que vai de escândalo em escândalo, tínhamo-nos procurado retirar entre aquilo que nos restava, gestos roubados dos longos filmes, como os víramos em miúdos, a clareza que nos diz que a violência é como a poesia, pois não se corrige, antes aceita o desastre, capaz de
A intensidade dos condenados. Uma conversa com Victor Barros abr 17, 2026 13850 Desta vez, tivemos de nos ficar pelos trabalhos preparatórios, já que este texto, que costuma ser redigido depois, teve de ser apressado, vindo antes, e a previsão é que Victor Barros (cabo-verdiano, historiador doutorado pela Universidade de Coimbra, com uma tese sobre a construção da memória do império português nas colónias em África, investigador do Instituto de História Contemporânea da Unive
Tenho saudades da Comuna de Paris. Uma conversa com Joana Craveiro abr 11, 2026 13410 Certa vez Herzog recomendou o cinema como uma arte tão cativante por se manter imune às obsessões dos eruditos, sendo um recreio dos iletrados. Nietzsche desdenhava daqueles que assumem a leitura como um passatempo, essa figura do leitor passivo, que se entrega a um consumo de ideias sem as levar a qualquer efeito. “As primeiras línguas foram cantadas e apaixonadas antes de decaírem, como parcelas

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